Está aberta a possibilidade de uma nova etapa na trajetória da cidade. O momento é crucial para concretizar reformas que garantam a transformação.
Certas conjunturas, se bem aproveitadas, são decisivas para a história. As circunstâncias que ajudaram a eleger Marta Suplicy, como o grande movimento de indignação e desejo de mudança na sociedade, representam uma oportunidade de alterar substancialmente o quadro em que São Paulo chegou ao século XXI: instituições políticas desmoralizadas, máquina administrativa e finanças destroçadas e problemas urbanos sem solução a curto prazo. Viver intensamente tal momento como vereador é um privilégio e, ao mesmo tempo, angustiante, pois nossos projetos enfrentam, com frequência, dificuldades políticas.
A duras penas e nem sempre conseguindo o que consideramos ideal – em alguns casos, longe disso -, vamos caminhando na direção correta. Foi o que aconteceu no processo de criação das subprefeituras, talvez o mais importante projeto de lei que aprovamos na Câmara nesta legislatura.
Após o conturbado processo de votação, restaram muitas falhas e lacunas. Considero exagerado o número de subprefeituras, que criará dificuldades para a implantação, e imprecisos o processo de descentralização e a estrutura organizacional, que gerarão conflitos administrativos. Apesar disso, finalmente pode ser iniciada a reorganização do município, que, se bem conduzida, poderá lhe dar um novo rumo. Nesta perspectiva, é fundamental que o Legislativo aprove, o quanto antes, a criação dos Conselhos de Representantes, para garantir participação e controle social.
O enorme envolvimento que estamos tendo com o Plano Diretor relaciona-se com essa perspectiva de intervenções estruturais. Trata-se de criar um sistema participativo de planejamento e gestão, de fazer com que a propriedade urbana cumpra sua função social, de construir uma cidade mais igualitária com a redistribuição territorial e social dos benefícios urbanos. O empenho da prefeita e da bancada do PT pelo projeto relaciona-se com a certeza de que ele será decisivo para levar esse novo cenário. De fato, o plano é uma condição necessária – mas não suficiente – para instituir uma nova forma de gestão. Contribuir para uma profunda reforma urbana está entre os compromissos que assumimos.
Depois de 25 debates públicos e de quase um mês e meio mergulhados no Plano Diretor – muitas vezes, madrugada adentro -, parece que nosso ano, até aqui, resumiu-se a ele. O Pauta: São Paulo mostra que essa foi apenas uma parte do trabalho. Os seminários sobre incentivo à cultura e sobre políticas voltadas aos jovens que organizamos, assim como a publicação Um ano de Juventude, tiveram grande repercussão e aprofundaram a abordagem de assuntos importantes. Demonstram que temos conciliado um leque de temas de interesse para o mandato.
A Casa da Rodésia, nosso espaço para eventos, firmou-se como centro de reflexão política, cultural e urbana. Neste momento eleitoral, batalhamos para mudar o futuro do país mantendo nossos princípios e nossa identidade. O PT deve continuar em movimento, sem cair na mesmice dos partidos políticos brasileiros.