Moradia é a porta de entrada para todos os direitos e só faz sentido quando integrada ao urbanismo, ao meio ambiente e à redução das desigualdades.
Habitação
Desde o início de sua trajetória, Nabil compreendeu que a política habitacional é fundamental para reduzir desigualdades e construir cidades mais justas. Esse propósito orienta sua atuação como arquiteto, urbanista, professor e homem público.
Para ele, a moradia não pode ser tratada de forma isolada, mas como parte de uma política integrada de desenvolvimento urbano, preservação ambiental e justiça social. Garantir o acesso à moradia digna significa também garantir o acesso à cidade, aos serviços públicos, às oportunidades de trabalho e à cidadania.
Por isso, a habitação é o eixo central de sua trajetória acadêmica, profissional e política. Em sua visão, não é possível pensar o futuro das cidades sem integrar habitação, urbanismo e meio ambiente em um mesmo projeto de desenvolvimento.
Da universidade aos mutirões habitacionais
Ainda durante sua formação na FAU-USP, Nabil participou de pesquisas sobre a expansão das periferias urbanas brasileiras ao lado de importantes estudiosos da questão urbana, como Ermínia Maricato, sua professora e parceira em diversos projetos, além de Lúcio Kowarick, Gabriel Bolaffi, Rodrigo Lefèvre, Francisco de Oliveira e Raquel Rolnik.
Em 1982, fundou o Laboratório de Habitação das Belas Artes, que prestava assessoria técnica a movimentos de moradia. Essa experiência ajudou a construir as bases dos mutirões autogeridos implantados durante a gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (1989–1992).
Nesse período, atuou como Superintendente de Habitação Popular, coordenando programas de Habitação de Interesse Social e contribuindo para consolidar um modelo inovador de produção habitacional baseado na participação das famílias e na autogestão.
Movimentos de moradia e autogestão habitacional
Uma das experiências mais emblemáticas da trajetória de Nabil é a parceria com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra Leste 1, referência nacional na luta pelo direito à moradia. Desde os anos 1980, o movimento organiza famílias, desenvolve projetos habitacionais e demonstra que a população pode ser protagonista na produção de suas próprias moradias.
A experiência dos mutirões autogeridos, implantada na gestão de Luiza Erundina e apoiada por Nabil como Superintendente de Habitação Popular, consolidou um modelo em que as famílias participam das decisões sobre os empreendimentos, fortalecendo a organização comunitária e garantindo moradias de qualidade.
Décadas depois, essa parceria continua produzindo resultados concretos. Conjuntos habitacionais como Carolina Maria de Jesus, Dorothy Stang, Martin Luther King e Jerônimo Alves são exemplos de conquistas construídas pela persistência, organização e protagonismo dos movimentos de moradia.