Sem argumentos para defender Singapura, projeto que ainda não saiu do papel mas que custará oito vezes mais que a urbanização de favela, o secretário de Habitação busca iludir a opinião pública, divulgando dados incorretos sobre habitação no município (“Singapura, sim”, Folha, 19/02).
Erundina, além de ter atendido mais de 39 mil famílias, deixou em obras, somente em Habi, 10,5 mil casas por mutirão, 2.400 apartamentos por empreiteira, 34 urbanizações de favelas e 9 cortiços em recuperação, totalizando cerca de 23 mil famílias que teriam, em 93, resolvido seu problema habitacional; criou, ainda, estoque de terra e projetos para atender mais de 16 mil famílias de baixa renda.
As razões que levaram Maluf a interromper este trabalho, deixando de capitalizar seu resultado positivo, é um mistério que talvez só os promotores que investigam o caso Pau-Brasil podem apontar. Grande parte destas obras se realizam em parceria com a população, a baixo custo e qualidade reconhecida.
O governo Maluf deveria ter concluído por inércia, em 93, no mínimo 10 mil casas e dezenas de urbanizações. No entanto, só utilizou 25% dos recursos orçamentários previstos (o resto foi transferido para obras de discutível necessidade) e, assim, finalizou apenas 2.300 casas, iniciadas por Erundina.