A vitória da oposição nas eleições de 1986 representou uma renovação sindical e a incorporação de novos quadros e novas frentes de trabalho para o Sasp.
Não foi de uma hora para outra que se formou uma oposição para disputar essas eleições. Na verdade, a oposição reunia um amplo conjunto de jovens arquitetos que desde 1980 iniciou uma atuação no Sasp com o objetivo de incorporar nossa categoria na luta dos trabalhadores, pela autonomia sindical, construção de novos campos de intervenção profissional, sobretudo no trabalho junto aos setores sociais tradicionalmente não atendidos pela categoria. O crescimento desse grupo de militantes permitiu uma intervenção importante no Sasp, entre 1980 e 1986, interferindo nas linhas políticas da entidade, como foi a decisão de filiar o sindicato à CUT em 1985, contra a posição da diretoria. Embora nossa chapa tenha sido derrotada nas eleições de 1983 (por pequena margem de votos), o grupo continuou a atuar e formular propostas no Sasp. A eleição de 1986, respaldada por dois terços dos votantes, foi a conseqüência desse processo e o reconhecimento pela categoria da necessidade de imprimir novos rumos à ação do sindicato.
Ao assumir o Sasp, no entanto, nos deparamos com uma situação crítica: a entidade não dispunha de infra-estrutura para desempenhar seu papel. A precária e atrasada estrutura administrativa e financeira, aliada à falta de um espaço adequado para atrair a categoria, dificultava o desenvolvimento de novas linhas de intervenção política. Buscamos então agir em duas direções: de um lado, construir uma infra-estrutura básica para lastrear a ação sindical política; de outro, definir linhas de intervenção política que dessem visibilidade e horizonte para o sindicato, ampliando seu espaço e influência.
No primeiro aspecto destaca-se um conjunto de ações pouco perceptíveis para a categoria, mas de enorme importância: a informatização do cadastro, a estruturação de um sistema de cobrança mais eficiente, a diversificação das fontes de receita. Conseguimos reduzir a dependência do Sasp em relação ao imposto sindical, transformando a contribuição voluntária dos associados na principal fonte de receita.
A mudança da sede do Sasp para a Vila Inglesa em 1988 foi uma ação ousada e indispensável para viabilizar a nova fase do sindicato. Do ponto de vista simbólico, o novo espaço marcou um novo tempo para a entidade.
A ampliação do espaço político e de defesa profissional deu-se, por sua vez, em várias frentes: a abertura de delegacias sindicais no interior (Santos, Vale do Paraíba e Franca); a consolidação do Pacto de Ação Sindical, frente de sindicatos para a negociação salarial nas empresas de consultoria; a articulação dos professores de arquitetura; a defesa do concurso para projetos de maior repercussão pública; a ação junto à FNA e CUT e a reestruturação do jornal, sempre às voltas com dificuldades financeiras.
Três iniciativas, no entanto, marcaram nossa ação, com maior repercussão e conseqüências futuras:
- A organização de novos procedimentos de cobrança dos honorários dos serviços de arquitetura, estruturada a partir do trabalho do arquiteto Maffei e impulsionada pelo Sasp no curso Como Cobrar e na publicação do manual, com enorme repercussão nacional. O curso foi produzido para milhares de arquitetos em várias cidades brasileiras; representou uma importante tomada de consciência da necessidade de profissionalizar a categoria e adotar critérios menos amadores na cobrança de honorários.
- A difusão de um novo campo de atuação profissional junto aos setores populares organizados, impulsionados pela Comissão de Assessoria aos Movimentos Sociais. O trabalho de assessoria às associações comunitárias de construção e o apoio à autogestão na produção habitacional, estimulados, difundidos e sistematizados pelo Sasp, ganharam grande repercussão, abrindo uma promissora frente de atividade profissional; hoje, com a criação de programas habitacionais públicos baseados na promoção comunitária, cerca de 10 mil casas estão sendo produzidas nesse sistema, com a assessoria e projetos de dezenas de arquitetos organizados em cerca de vinte entidades de assessoria técnica multidisciplinares. As perspectivas futuras são muito positivas.
- A campanha pela reforma urbana e a contraposição à política urbana do ex-prefeito Jânio Quadros. O Sasp liderou, em conjunto com a FNA e outras entidades, a campanha de coleta de assinaturas para a introdução na Constituinte de 1988 de uma reforma urbana que garantisse a função social da propriedade, obtendo cerca de 150 mil assinaturas e importantes conquistas. Por outro lado, o firme posicionamento do Sasp, em conjunto com movimentos ecológicos e sociais, contra as arbitrariedades do prefeito Jânio Quadros, foi importante para barrar ou dificultar projetos urbanos inadequados e inoportunos, difundindo a preocupação com os aspectos do futuro da cidade.
Abrindo espaço na imprensa, polemizando em defesa da arquitetura, da cidade e dos profissionais, criando horizontes novos para a atuação da categoria, lutando para superar o amadorismo entre os arquitetos, trabalhando para estruturar o sindicato para enfrentar novos desafios, cumprimos nossa meta e compromisso – tão bem materializados na arquitetura da nova sede da Vila Inglesa – de mudar a cara do sindicato.