27 de novembro de 2003

Zoneamento para implementar o plano diretor

27 de novembro de 2003

Zoneamento para implementar o plano diretor

Os planos regionais e a lei de uso e ocupação do solo precisam ser claros para os cidadãos e os profissionais que atuam sob suas regras. Temos que discutir a fundo os dois projetos e os aprovar no tempo adequado.

O Plano Diretor Estratégico (PDE), aprovado em 2002, definiu um rumo para a ordenação territorial de São Paulo e diretrizes para as políticas públicas municipais. Abriu a possibilidade de enfrentar de modo consistente os graves problemas da cidade, buscando, entre outros objetivos, romper com o ciclo histórico da desigualdade e exclusão, garantir sustentabilidade ambiental e dar um horizonte de melhor qualidade de vida para todos os paulistanos.

Para obter esse resultado, o plano estabeleceu ações (obras e programas) e instrumentos urbanísticos, inclusive regulamentando o Estatuto da Cidade para fazer valer a função social da propriedade. Mas não basta termos um novo plano diretor se ele não for implementado. É nesta perspectiva que deve ser entendida a segunda etapa do processo de planejamento, composta dos planos de habitação e circulação e transportes e dos projetos de lei dos planos regionais e do zoneamento, em discussão na Câmara. Os dois últimos têm que ser aprovados em plenário. Sua elaboração levou um ano, numa sequência coordenada pela Secretaria de Planejamento e que envolveu as subprefeituras, profissionais contratados e centenas de movimentos, entidades e associações.

O zoneamento é um instrumento urbanístico para alcançar alguns dos principais objetivos estratégicos do Plano Diretor. A oportunidade de estendê-lo para o conjunto da cidade é uma grande mudança, já que até hoje seus parâmetros só foram aplicados nas áreas mais consolidadas e urbanizadas.

Os planos regionais detalham e localizam no espaço as diretrizes do Plano Diretor. Inserem-se num novo modelo de planejamento, descentralizado, integrado e participativo. O desenvolvimento desses planos em todas as subprefeituras possibilitou, pela primeira vez, a inclusão da periferia em tal processo, expandindo os direitos de cidadania para a maior parte dos paulistanos.

Como relator desses projetos de lei, propus a realização de dezesseis audiências públicas temáticas e regionais para ampliar a participação. A exemplo do que ocorreu no Plano Diretor, esperamos contribuir para esse debate e receber sugestões e críticas de todos os setores da sociedade – associações de moradores, movimentos sociais, entidades profissionais e empresariais, universidade e urbanistas – e do Conselho Municipal de Política Urbana para garantir o necessário aperfeiçoamento. Cabe lembrar que em muitos casos há propostas antagônicas, resultantes de conflitos de interesses, e se faz necessário optar por uma delas. Além disso, nem sempre uma proposta encaminhada a uma subprefeitura ou acatada por ela é boa para a cidade ou compatível com o PDE.

Considero fundamental, como princípio norteador na reformulação das duas propostas, dar mais clareza e precisão ao texto legal, para permitir um entendimento mais fácil das regras que passarão a valer. Zoneamento exige previsibilidade, ou seja, a possibilidade de cada um saber o que pode ser construído ou instalado em cada porção do território urbano. Facilitar e agilizar a aprovação de projetos arquitetônicos, reduzindo a burocracia, é outra diretriz a seguir. Além disso, parece recomendável reunir num único texto legal os parâmetros de uso e ocupação do solo, evitando regras específicas em cada subprefeitura.

Está claro que leis tão importantes precisam passar por um amplo processo de discussão, como está acontecendo, e ser finalizadas com segurança, para evitar problemas futuros, o que demanda tempo. Por outro lado, a entrada dos dois projetos no Legislativo, com a expectativa de prováveis mudanças, abriu um período de incertezas entre moradores e promotores imobiliários. Por isso, e para dar seqüência à implementação do Plano Diretor, a tramitação desse novo marco legal não deve se alongar indefinidamente. Conduzir essa etapa com democracia e no tempo adequado, na perspectiva de gerar o melhor resultado para a cidade como um todo, é nosso desafio.

Como citar:

BONDUKI, Nabil. Zoneamento para implementar o plano diretor. Câmara Municipal de São Paulo, São Paulo, nov. 2003.

OUTROS ARTIGOS

Balanço
27 de março de 2003

Balanço

Dois anos de diálogo, realizações, algumas derrotas. Pela frente, perspectivas, impasses e...

Cidades melhores para  um país melhor
27 de dezembro de 2002

Cidades melhores para um país melhor

As políticas urbanas podem e devem colaborar na construção de um novo...

Lula e Genoino para mudar o Brasil
27 de outubro de 2002

Lula e Genoino para mudar o Brasil

Os brasileiros querem mudança e escolhem o PT. Para colocar em práticas...

ENTRE EM CONTATO

FALE COM NABIL

Tem uma sugestão, demanda ou quer colaborar?
Entre em contato conosco.

Telefone

Ligue para nosso gabinete

Telefone: (11) 3396-4413

WhatsApp: (11) 99651-3202

E-mail

Envie sua mensagem

nabil@nabil.org.br

Endereço

Visite nosso gabinete

Câmara Municipal de São Paulo
Viaduto Jacareí, 100 – Sala 1106
CEP: 01319-900