A população exige o fim da impunidade. Precisamos tirar da política quem lesa os cofres públicos.
Não podemos titubear: aqueles que cometeram atos de improbidade administrativa, que se envolveram em negócios ilícitos com dinheiro público, que prejudicaram a cidade para fazer caixa de campanha e beneficiar interesses privados devem ser punidos.
O Ministério Público está perto de comprovar o que todos suspeitávamos: o suposto desvio de recursos que virou sinônimo da administração Paulo Maluf. As suspeitas recaem sobre vários assuntos: as obras viárias realizadas entre 93 e 96 (como o Túnel Ayrton Senna e a Avenida Água Espraiada), compra de frangos, PAS, máfia dos fiscais… O resultado foi a corrosão dos cofres municipais. Em 2002 pagaremos, como dívida, R$ 1,2 bilhão que poderia ser aplicado na resolução de problemas urbanos e sociais.
Foi para reverter tal situação que São Paulo elegeu Marta e deu maioria na Câmara a partidos que fizeram oposição aos governos Maluf e Pitta.
Por isso defendo a CPI das grandes obras, proposta pelo vereador Vicente Cândido, e a do “Frangogate”, proposta por Carlos Neder. Também é fundamental rejeitar o parecer que aprovou com ressalvas as contas da gestão Maluf.
A decisão o tornaria inelegível e só não a concretizamos até aqui porque requer o voto de 37 vereadores (dois terços da Câmara).
O Executivo, por sua vez, deve encontrar meios para, sem paralisar outras ações importantes, contribuir com a Justiça na apuração dos atos do ex-prefeito que, tudo indica, prejudicaram a cidade, inclusive verificando a noticiada manutenção de contas em paraísos fiscais.
A sociedade brasileira exige o fim da impunidade. Isso vale tanto para Maluf como para os integrantes do governo FHC que teriam fraudado as privatizações, se comprovadas as denúncias.
Tirar da vida pública os políticos corruptos e inabilitar as empresas que jogam em parceria com eles é uma vacina necessária contra a perpetuação de práticas que, ao consumir recursos que deveriam ser usados para combater a desigualdade, impedem a melhoria das condições de vida da população.