Os brasileiros querem mudança e escolhem o PT. Para colocar em práticas nossos projetos visando a um país melhor, precisamos nos mobilizar e repetir em 27 de outubro a vitória do primeiro turno.
A vitória de Lula e do Partido dos Trabalhadores nestas eleições poderá representar um dos mais importantes fatos no campo das forças progressistas desde a derrubada do Muro de Berlim. O sucesso do PT não foi apenas um triunfo do nosso candidato a presidente, que chegou perto de se eleger já no primeiro turno. O que ocorreu foi uma clara opção da sociedade brasileira por transformações e uma sinalização de que o PT é o canal escolhido para conduzi-las.
Elegemos a maior bancada na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas, quase dobramos a bancada do Senado, já elegemos dois governadores e temos outros oito na disputa. Estamos colhendo os frutos de 22 anos de construção partidária, de compromisso com as lutas sociais, com a ética e com a democracia, de implementação de políticas públicas alternativas e de defesa da justiça social. Lula, enfrentando todo tipo de obstáculos, rejeitou o personalismo, tão frequente nos políticos carismáticos latino-americanos, e foi líder da construção deste partido, uma grande novidade na esquerda mundial no final do século XX.
A opção pela mudança também se manifestou no desempenho dos candidatos de partidos de centro-esquerda, que, como nós, reafirmaram oposição ao modelo implantado por Fernando Henrique e que agora nos apoiam.
Ganhar a eleição é fundamental, mas apenas um primeiro passo. O que está em jogo é a criação de um processo político e a articulação das forças sociais capazes de promover as reformas estruturais que o PT defende:
- reforma tributárias a fim de melhorar a distribuição de renda e estimular o crescimento da economia e a criação de empregos;
- reforma política para romper os currais eleitorais, o clientelismo e a sub-representação, no Congresso, dos estados mais populosos;
- reforma agrária para promover uma nova política agrícola e garantir acesso a terras para milhões de brasileiros excluídos;
- reforma do sistema educacional para reverter a deterioração do ensino público e gratuito e garantir acesso à educação para todos;
- reforma urbana que garanta a todos o direito à cidade, aos serviços, à infra-estrutura e às oportunidades que ela oferece;
- reforma do Estado, com a descentralização de sua estrutura, de modo a proporcionar maior participação dos cidadãos na elaboração e execução de políticas públicas, sobretudo aquelas voltadas à população de mais baixa renda.
Com Lula, tive a oportunidade de participar da equipe que coordenou a elaboração do Projeto Moradia, incorporado ao programa de governo do PT. Ele propõe equacionar o problema da habitação relacionando-o com a questão urbana e articulando a sociedade e os três níveis de governo, de modo a garantir moradia digna para cada cidadão no prazo de quinze anos. É um dos exemplos da intensa atividade em que Lula se manteve envolvido nestes anos de preparação e que gerou ainda, entre outros projetos, o Fome Zero e o Segurança Pública, amplamente reconhecidos.
Os governos estaduais terão papel fundamental na implementação das nossas propostas. Ao coordenar a proposta de política habitacional do programa de governo de Genoino, baseado no Projeto Moradia, pude verificar o quanto a ação conjunta das esferas estaduais e federal é importante.
É certo que alianças e o apoio de outras forças políticas são necessários não só para vencer esta batalha como para garantir a governabilidade e a adesão do Congresso às reformas estruturais. Mas não podemos perder o rumo que fez do PT o maior partido do país. Lula deverá comandar a construção de um grande arco de suporte político e social, sem cair nas práticas tradicionais, para pôr em ação as mudanças de que o Brasil necessita – as mudanças que o Brasil exige.